Caminha junto comigo, 2020/21

Elenize Dezgeniski

A mini exposição, construída sobre uma banda de Moébius, reúne títulos de trabalhos de mulheres artistas latino-americanas trabalhados na disciplina Arte Contemporânea, Feminismos e Relações de Gênero, sob orientação da professora Dra. Silva Macêdo (PPGAV/UDESC). Numa espécie de exercício de curadoria, fui recolhendo os títulos e agrupando-os até formarem frases, até se transformarem em pequenos textos. A banda de Moébius, essa figura enigmática da topologia psicanalítica e da matemática, organiza a tridimensionalidade da exposição. Como metáfora do trânsito entre consciente e inconsciente a banda de Moébius tem seu uso na psicanálise. Uma estrutura que não tem um limite definido entre interior e exterior, onde o dentro e o fora estão numa mesma superfície. A banda é utilizada por Lygia Clark na sua obra “caminhando” e serviu como disparador da ação, assim com o fio da tesoura beira o título da obra “é o que sobra” da artista Lygia Pape, onde esta coloca a língua entre os fios de uma tesoura. Quando cortada  as fitas resultantes não se separam, mas permanecem unidas por um laço e aos poucos vão formando novas frases e recombinações criando um tempo anacrônico, de retornos, sobreposições e ressignificações.